Como podemos combater o estupro e outras violências

Sabemos que a violência sexual contra as mulheres é gerada de uma sociedade patriarcal e machista que até mesmo questiona o que é violência ou não. Temos que lidar diariamente com a violência verbal, quando ouvimos uma cantada suja e desrespeitosa na rua e abaixamos a cabeça por medo de reagir e sermos “punidas”, ler sobre casos e mais casos de estupro nos quais a vítima se sente culpada (e tem a culpa reforçada pela sociedade que acha que ela não devia estar usando vestido e andando sozinha pela rua, por exemplo) ou de mulheres que são violentadas na própria casa e temem denunciar, pois não confiam no marido e nem na polícia.

Foto: Karoline Gomes

Muitas estamos tão preocupadas com a próxima, com as pessoas que amamos e com nossa própria moral e integridade que decidimos não esperar a sociedade mude de ideia e torna-se consciente da dominação que tem sobre as mulheres e nos deixe viver em paz.

Eu mesma me inspirei para escrever sobre isso depois que li mais um dos diversos comentários de mal gosto que circulam normalmente pelo Facebook – rede que tem contribuído para a agressão das mulheres – mesmo não podendo criar um grande movimento revolucionário, senti que tinha que fazer algo contra tudo isso. Esta é a mesma vontade que têm as ativistas que vão as ruas mostrar sua indignação sobre a situação e ainda são julgadas por isso, na maioria por mulheres que acreditam no que o machismo lhes impõe.

  • Você está ensinando errado: 

Existe uma espécie de “conselho de prevenção contra estupro” que a mulher desde a infância. Quando criança, aprendemos como regras que não podemos usar roupas curtas ou andarmos sozinhas e desprotegidas a noite, sabe-se lá o que pode acontecer né? Melhor prevenir do que remediar. Será mesmo uma forma de prevenção que aprendemos?

É normal que quando notícias sobre estupros e assassinatos começam a surgir, a família fique preocupada com a segurança dos filhos, especialmente a da menina, a mais vulnerável a violência. As famílias acham que ensinando uma menina a se vestir e a se portar na rua está a ajudando, mas na verdade este comportamento só estimula o machismo e o agressor, que é defendido com a desculpa de que a mulher provavelmente estava “pedindo” para ser estuprada por causa das roupas que usava.

Acredito que um padrão anti-estupro de se vestir não ajude, porque claro, não só as mulheres que andam de vestido ou com roupas “provocativas” são as vítimas da violência. O que ajuda é uma boa aula de defesa pessoal, ou de luta. Deixe sua filha entrar para as aulas de karatê se ela quiser, isso pode ajuda-la mais do que imagina, não a obrigue a fazer ballet porque é coisa de menina.

Ainda há a falha na educação dos garotos, que aprendem que a mulher é um objeto sexual, e nada mais que isso. Onde está a parte em que o pai explica que não se deve ofender ou até investir numa mulher na rua simplesmente porque ela está ali, num espaço público?

Ensine seu filho o que é o estupro, o que é a violência, o que é a falta de respeito. Parece óbvio, mas para uma criança crescendo em um ambiente machista, é preciso explicar que o estupro não é só o ato de forçar uma mulher a transar com você, e que aquela amiga bêbada que foi agredida “porque” ela estava inconsciente é tão vítima quanto a que esta consciente e registrando o fato que depois se tornará um trauma.

  • Devemos punir os “grandinhos”

Como a maioria não tem a sorte de ter recebido uma educação que ensina a não-estuprar, nunca é tarde para ensinar isso, mesmo para um homem grandinho, que acha que não é responsável a danos que causa ou pode futuramente causar em uma mulher, até mesmo a dele.

É importante deixar claro em um relacionamento que cada um tem suas escolhas e é dono de si, e não é porque você não está afim que é obrigada a transar com seu marido. E não, ele não deve te forçar a isso.

O estupro é sexo sem consentimento, e não é porque disse sim na igreja que você está dizendo sim para o sexo toda vez que o parceiro precisar. Se agredida, não tenha medo de procurar ajuda, de preferência da delegacia da mulher. Grande parte da luta contra o estupro é se assegurar que agressor não tenha chances de fazer aquilo novamente.

Questione: “O que eu devo fazer primeiro?” ao invés de “Eu deveria fazer algo?” e você vai ver como as coisas vão melhorar.

  • Entenda: O assunto não é brincadeira

Quando apoiei aqui no blog a Campanha CHEGA DE FIU FIU do Think Olga, recebi um comentário nas redes sociais de um amigo, que eu sabia que estava brincando “Vamos agora chamar de princesa, que é mais bonitinho”, mas eu não considerei a piada e respondi que a intenção era não haver nenhum tipo de abuso, mesmo o mais “fraco”. Ele me respondeu dizendo “Era brincadeira, pô”. Ainda assim ele teve uma mini-aula de feminismo, pois eu dei o sermão do mesmo jeito, porque a questão era que com este tipo de assunto, não se brinca.

Dispense piadas, programas de Tv, músicas e páginas na internet que humilham e denigrem a imagem da mulher.Violência nunca é engraçada, e ainda é contagiosa.

  • Se interesse

Procure pelas leis de sua cidade, estado, país, saiba o que o governo está disposto a fazer para ajudar você ou qualquer outra mulher que tenha sofrido de violência sexual. Se não há medidas necessárias sendo feitas, questione, pergunte. É um direito seu como cidadã exigir tais melhorias.

Aproveite também para pesquisar sobre o abuso infantil, as crianças são outra minoria que não tem como se defender e sofre com agressões, principalmente dentro de casa. Estes casos são os mais difíceis de ter acesso, a família demora para ficar sabendo pois é comum que a criança guarde segredo e não saiba direito o que está acontecendo com ela.Preocupe-se principalmente em educar seus filhos sobre contar detalhes do que acontece com eles.

  • Entenda que a culpa não é sua

Como eu já disse neste mesmo texto e em outros, saiba que a culpa não é sua. Não estimule a outra a achar que a culpa é dela, isto é uma defesa ao estuprador.

Culpar a mulher por ter sido vítima de estupro é o maior passo para aumentar a opinião machista sobre isso, mesmo que em uma conversa esteja um grupo concordando, diga o contrário, levante a voz. Desse modo você diminui a voz do estuprador, que só tem crescido. O homem não é um animal feroz que não sabe controlar seus instintos e a mulher não deve ser sua presa.

Rapists = Estupradores | Reported = Denunciados | Faced Trial = Julgados | Jailed = Presos

Este gráfico publicado pelo Huffington Post ‘s Laura Bassett, foi elaborado pelo Projeto Enliven usando dados do Departamento de Justiça da Pesquisa Nacional de Vitimização Crime e relatórios do FBI. Ele mostra que ao contrário do que muitos pensam poucos são os casos denunciados e menor ainda o número de estupradores que vão para a cadeia. Isso se dá a vitimização do agressor “pobre homem, estava andando pela rua, viu uma mulher gostosa e não pode resistir, né?”.

Se você acha que o estupro é ruim, porque ser contra a vítima??? O primeiro passo para mudar as estatísticas a ajudando quem sofre das agressões.

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5 comentários sobre “Como podemos combater o estupro e outras violências

    1. Obrigada Ygor, pelo elogio e a sugestão! É importante mesmo falar do feminismo e de violência sexual com os homens também, por isso neste post tem o tópico sobre a educação como educar os filhos longe do machismo, o que principalmente o pai deve se preocupar em ensinar o filho. E criei a tag Homens de Verdade para valorizar os homens no feminismo, mas claro, acaba tornando-se uma discussão para as mulheres.

      Obrigada pela dica, vou trabalhar nessa mudança. Até logo

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