Não existe mulher “pra casar”, mas homem…

Na semana em que estreei a nova tag do blog, para falar toda semana sobre homens que são exemplo e que supostamente atrairiam uma mulher com valores feministas, a Revista Capricho publicou em seu site um post que foi muito criticado e recebido negativamente até por quem não tem (ou diz que não tem) tais valores.

O texto, que foi tirado do ar, foi escrito por Márcio Picolly um Colírio da Capricho – uma “categoria” de rapazes que a revista julga serem os ideais para as meninas que leem e logo, elas acreditam, procurando tal esteriótipo até sua vida adulta – e separava menina intituladas “pra casar” e “pra pegar”.

O post de muito mal gosto que, além de reprimir as escolhas de roupa, condenava o comportamento de mulheres as separando por estas categorias, é obviamente um repressor, uma forma de fazer com que continuemos escondendo nossas preferências e conter nosso comportamento para não incomodar ou desagradar a maioria dos homens.

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O post de 2013 foi retirado, mas o site tem esta publicação de 2011 sobre o mesmo assunto, que aparentemente, nunca sai de pauta

Mas o acontecimento rendeu ainda boas reflexões, você acha que não tentei assimilar com a nova tag daqui? Bem, a primeira reflexão não tem nada a ver com a tag: é a de que, apesar dos comentários machistas sobre as críticas que o texto recebeu – coisas do tipo “As coisas sempre foram assim, pra quê mudar?” ou “Era só uma piadinha” – o texto foi retirado do ar, e a própria revista que, segue uma linha editorial machista dando dicas de comportamento, moda e maquiagem que agradam somente os homens e não as meninas que a compra, se retratar e admitir o erro.

Tweet feito pela Revista Capricho se retratando pelo post
Tweet feito pela Revista Capricho se retratando pelo post

A segunda é sobre como vou explorar a ideia de um homem ideal aqui no blog, uma vez que reclamei também do post na Capricho. Mas depois a reflexão tomou outros rumos, a final, será que os homens são tão afetados pelo machismo como as mulheres são? Será que classificar um homem como Homem de Verdade para a nossa tag é uma divisão como fez a Capricho, ou uma orientação?

Desculpem defender o meu peixe, mas creio que a tag não prejudicaria os homens e ajudaria a ambos os sexos, afinal, o machismo impõe um comportamento determinado para as mulheres e as julga se elas não o seguem, enquanto deixa os homens cada vez mais desrespeitosos conosco e alheios a isso, achando que suas atitudes na rua, com a mulher em casa, com a colega de trabalho são normais e que temos que aceitá-las. Enquanto o feminismo, ao invés de impor algum, critica o comportamento machista e valoriza homens que não pensem assim (difícil?).

O que não podemos aceitar é o machismo, que só prejudica ambos os lados. E julgando um Homem de Verdade de acordo com o feminismo, selecionaremos apenas bons exemplos de como é possível através de uma boa mente e respeito, favorecer os dois em um relacionamento ou no convívio diário é por isso que o nosso primeiro Homem de Verdade foi Brad Pitt e não foi (e nunca será) um Colírio da Capricho.

Acho que uma das coisas que o sr. Colírio esqueceu é que muitas mulheres hoje em dia nem querem casar, e não é por isso que expressão sua sexualidade. Muitas mulheres não querem casar simplesmente porque acham (ou sabem?) que é difícil confiar em um homem que se defenda com morais machistas (a maioria).

Acontece que os homens nunca foram divididos desta forma que classificam as mulheres. Se existem mulheres para casar ou para “pegar” (o que a mulher não tem liberdade de fazer se quiser, caso contrário ela será julgada e ganhará uma coleção de apelidos: vaca, galinha, periguete e principalmente vadia, são os mais comuns), é graças ao machismo que protege os homens. Pobrezinhos, será que tá tão difícil assim achar mulher “decente”?. O fato de existir esta diferença de homens para casar e pegar é que é preocupante.

Afinal, não não estamos pedindo pela liberdade de devolver o desrespeito passando a mão em homens na rua, fazendo fiu fiu, ou assediando-os no trabalho. O queremos são homens que entendam que sua presença como pai é tão importante quanto a da mulher como mãe, que não traia se defendendo com desculpinhas que culpam a mulher por não ser suficiente na cama para ele, que saiba educar os filhos e não que oprima a filha que quer sair de saia curta. Queremos poder trabalhar e conviver com homens que não julgam e desrespeitam porque acham que você é “fácil”.

Diante de tudo isso, é difícil acreditar que o Homem de Verdade exista. Mas graças ao feminismo que separa estes de homens que julgam, maltratam e desrespeitam, a fim de garantir uma convivência digna entre ambos os sexos, podemos achá-los. Ou até ensiná-los, porque não?

A mulher “pra pegar” e a mulher “pra casar”, só existem graças ao machismo que não dá liberdade a elas. Liberdade esta que os homens têm, e muita. Quem tem uma mente pequena pode achar, lendo este texto, que as feministas não gostam de homens, mas é aí que torno a dizer, gostamos de Homens de Verdade.

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4 comentários sobre “Não existe mulher “pra casar”, mas homem…

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