Meninas crescem, lide com isso

Ontem eu peguei no sono e nem lembrei de assistir o VMA na MTV, hoje fui procurar notícias sobre o assunto e aparentemente, não perdi nada além da performance que reuniu o ‘N Sync e Justin Timberlake ganhando o VMA de ouro. Mas estes dois fatos não foram nada lembrados nos comentários, eu ainda nem consegui achar quem foram os vencedores da noite, porque tudo o que eu encontrava sobre o evento, foi a performance da ex-estrela cor-de-rosa do Disney Channel, Miley CyrusO show não foi nem um pouco bem recebido, muito criticado e até espantou as pessoas que assistiam o ao vivo.

Pra ser bem sincera, parei na carreira de Miley na época que ela ainda fazia permanente e tinha os dentes tortos, ou seja, a época da Hannah Montana. Apesar de eu gostar de assistir o seriado, quando ela “amadureceu” e perdeu seu vínculo com a Disney, eu também já não tinha mais nenhum interesse no tipo de música que ela e as outras Disney girls faziam e deixei de acompanhar, portanto, sabia de toda sua “evolução” no estilo e suas polêmicas, mas nunca tinha ouvido nenhuma música (só pra escrever este post, pra ver se da uma inspirada – ou não).

Mas sinceramente? Ainda não sei porque este papo de “UAU! Aquela atriz da Disney tá crescida ein?” ainda é tão espantoso, elas são da Disney, mas são seres humanos, são meninas, que crescem e têm suas personalidades formadas (ou não).

Todos nós vimos como Britney Spears e Christina Aguilera seguiram suas carreiras solo depois do Clube do Mickey. E mesmo assim, ambas tomando todo o cuidado para não serem sexy demais e quando resolveram escandalizar (quem lembra desse clipe e desses beijos?), foram criticadas por famílias e sociedades patriarcais, atraindo somente aquele público “com a mente mais aberta”. É a mesmíssima história de Demi Lovato, Selena Gomez, Vanessa Hudgens e outras.

Valendo lembrar, que os homens também amadurecem e seguem seus rumos, mas nunca vi ninguém criticando o quão sexy Justin Timberlake ficou, ou que o antigo shark boy, Taylor Lautner esteja por aí exibindo seu peitoral no cinema.

Mas vamos pensar juntos: O Disney Channel é um canal para crianças certo? Logo, ele contrata crianças, e as deixa sob os cuidados da emissora, cheia de regras de comportamento para que as criancinhas não soltem a franga e estraguem tudo. Mas quando as crianças tornam-se adultos, já não há mais interesse sobre elas, e assim o contrato acaba e elas partem, cada um segue seu rumo.

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A escolha das mulheres de tornarem-se cantoras sexy é obviamente influenciada pelo que a mídia pede, afinal, temos cantoras que interpretam mulherões no palco e que nunca foram da Disney, quando Miley Cyrus se desvinculou do canal, era isso que ela tinha para competir, Rihanna, Lady Gaga e Katy Perry já mostravam seus atributos bem antes dela, e agora?

Consequentemente há uma pressão para estas meninas lidarem com seus corpos e seus comportamentos, ou vocês acham que a Britney Spears e a Lindsay Lohan surtaram porque? Miley Cyrus poderia até ter se transformado numa mulher liberal e sexy porque quis, porque quando amadureceu tornou-se uma mulher assim, mas este “exagero” do VMA, se é que houve mesmo tanto escândalo para ser feito, pode ser consequência de um desespero para entrar numa mídia que exige mulheres assim.

A Disney cria personagens que combinam (ou até formam) o imaginário das crianças, não adianta esperar que as pessoas que os interpretam continuem daquele jeito para sempre, ninguém é obrigada a ser Sandy quando crescer, né gente? Do mesmo jeito que não é legal sofrer uma pressão para ter um corpo e uma performance perfeita, sem nenhum erro, se quiser ser livre e expressar isso com músicas ou qualquer outro jeito.

Uma prova do abuso do corpo feminino, principalmente se ele foi vinculado a Disney, é o filme Spring Breakers, que apesar de ter meu ator favorito, James Franco, eu não me dei o trabalho de assistir e nem pretendo perder tempo com isso.

A trama conta a história de quatro adolescentes que queriam curtir as férias de verão (a Spring Break, nos Estados Unidos), roubam para terem dinheiro e acabam sendo presas, um traficante as libera e como pagamento elas têm que obedecer a ele. Como se o tema já não fosse escandaloso o suficiente, foram escaladas para os papeis das quatro meninas, quatro atrizes que tiveram inícios de carreiras “respeitados” pelo patriarcado. Ashley Benson de Days Of Our Lives, Vanessa Hudgens do fenômeno High School Musical, Rachel Korine de Glee e a recém saída da Disney, Selena Gomez da (bem chatinha) série Feiticeiros de Waverly Place. Claro, que elas aceitaram os papéis por que quiseram, porque tinham idade para fazê-lo e ninguém as impediu, mas nada disso quer dizer que sejam exatamente como suas personagens.

Demi Lovato não resistiu a esta pressão e largou todos os padrões que aderiu ao sair da Disney para ser… ela mesma. Ou ao menos é a mensagem que ela quer passar, o que já é bem válido. Outra que tem a carreira mais respeitada que as outras é Anne Hathaway, que estourou em O Diário de Uma Princesa na Disney, e agora ganhou um Oscar pelo maravilhoso Os Miseráveis. Ela decidiu fazer papeis considerados sérios no cinema e investir de forma “discreta” em sua carreira, aparentemente não como uma estratégia para agradar, mas era o que combinava com ela, sua personalidade e o que queria para sua carreira. E ainda foi muito julgada quando aceitou o papel de Mulher Gato nos filmes do Batman de Christopher Nolan, a crítica a considerava “sem sal”. Acharam que olharam errado no catálogo ex-Disney? Porque Anne fez o papel muito bem.

Crescer e querer ser você mesma já é uma tarefa difícil para uma mulher. As primeiras experiências sexuais, as escolhas de moda a formação de sua personalidade, tudo pode ser prontamente julgado. Se você se mantém discreta, é santa demais, se você gosta de falar sobre suas experiências, pode ser julgada de todas as formas, e isso sem nem divulgar se decide ser sexualmente livre ou virgem até o casamento, ou algo parecido.

Imagina então crescer na frente das câmeras e revistas de fofoca fazendo o trabalho pelos outros e entregando suas notícias já com uma base de julgamento quentinha? Se Miley está ou não fazendo o que quer e sendo livre para decidir o rumo de sua carreira, isso é questionável. Então vamos questionar: será que se as pessoas não julgassem tanto a mulher na música e no show bussiness, haveria esta necessidade de se encaixar em padrões e essa apelação (e pressão) sobre as estrelas da Disney?

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5 comentários sobre “Meninas crescem, lide com isso

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