Como escrever sobre moda para TODAS?

Este é meu questionamento desde que comecei o blog, moda é um assunto que me interessa muito, e interessa sim as mulheres. Algumas mais, outras menos, mas todas acabam se preocupando com o que vestir numa festa mais formal ou como vamos para uma balada mais despojada, pois todas queremos ficar bonitas e se sentir bem com o que usamos.

Foto: Karoline Gomes
Foto: Karoline Gomes

A questão é que a forma como nos vestimos expressa nossa personalidade, e temos todo o direito de fazer isso. Por isso, não quer dizer que aquela sua amiga que não é ligada nas tendências da moda seja “largada” ou qualquer outro adjetivo que você dê a ela por isso, ela só esta sendo ela mesma ao escolher se vestir como quer. Mas parece que as revistas de moda e comportamento não ligam para isso,  elas querem montar um modelo de pessoa que julgam (ou a sociedade julga) adequada.

É o que questionou Cris Zanetti do Oficina de Estilo, na Casa TPM 2013, durante a discussão sobre moda sustentável e o consumo na moda. “A gente se veste no piloto automático tanto na hora de consumir quanto na hora de se vestir. Hoje a gente se veste sem raciocinar se o que a gente veste tem a ver com o que a gente é”.

Apesar da “variedade”, look rock, look glam, look country para você escolher dependendo da ocasião que vai (e você pode querer variar como bem entender) todos esses looks parecem padronizados e cheio de regras, combinação de cores e estampas, a gente até entende, isso é moda, as tendencias vêm e vão. Mas não é estranho quando a revista te indica uma peça e depois adiciona: “Se você for muito baixinha, não tente este look, pois pode te diminuir mais” ou “Este look não é bom para quem tem quadril largo, experimente peça x”? E o pior é que você acaba acreditando que ter quadril largo é ruim pois páginas depois tem estampado na editoria “saúde” execícios e dietas para perder medidas.

Será que seguir a risca estas exigências é fazer moda? Tudo bem se você quiser esconder o quadril para sei lá, valorizar outra parte do seu corpo que você goste mais, mas querer esconder o quadril porque a revista te diz que é errado mostrá-lo? Tem algo errado aí.

“A chave para o consumo consciente é o auto-conhecimento. A partir do momento que estamos felizes com quem a gente é, há um ganho de auto-estima. Como a gente alcança isso? Se entendendo. Como eu quero me sentir dentro de uma roupa? A partir do momento que a gente entende isso, consome o que tem a ver com a gente, o que tem a ver com nossas expectativas, e para de tentar atender as expectativas externas”.

Cris Zanetti, do Oficina de Estilo

Quando criei o blog a ideia era falar sobre a parte antropológica, histórica da moda, discutir sobre o porque usamos tais peças, da onde elas vêm e o que representam na nossa vestimenta, pois não encontramos isso, apenas regras e mais regras.

Porque a moda não nos dá mais opções? É o que a jornalista e blogueira do Think Olga, Juliana de Faria se questionou neste post, e nós falamos mais sobre isso. Ela estudou moda, mas prefere falar sobre isso (e outros assunto) de um ponto de vista feminista em seu blog. Segundo as palavras dela mesma tudo mudou quando percebeu que gostava mais de falar sobre a mulher que veste a roupa do que a roupa que veste a mulher. “Quando dei esse passo, da moda para a mulher, percebi que poderia aumentar ainda mais a temática e buscar uma forma de dialogar com as leitoras”.

Diálogo, será que é isso que está faltando? Questionar o que a mulher realmente quer ler e saber, o que ela realmente quer vestir? Ao invés de impor todas as regras?

“Acho que são, em sua maioria, regras socialmente construídas que são reproduzidas no automático.”
Juliana de Faria, do Think Olga

Se erramos numa peça de roupa somos condenadas e ouvimos (ou não) comentários sobre nosso deslize, mas será que é muito difícil sentar e conversar com a mulher sobre suas escolhas na hora de se vestir? O próprio feminismo condena muitas vezes o consumo desenfreado e a necessidade de nos adaptarmos a estes padrões de moda para sermos aceitas, mas quando vamos falar sobre o que queremos vestir?

São estas causas feministas que me fazem temer falar abertamente de moda aqui no blog, a cada palavra que digito, tenho medo de estar impondo algo as mulheres e homens que acompanham, até porque minha ideia de escrever sobre moda é abordar ambos os sexos. Juliana concorda com os perigos da abordagem na moda. “Acho que precisa de cuidado não no sentido de evitar perigos, mas sim de “cuidar”, de dar atenção ao diversos públicos, saber ouvir e dialogar com os interesses de cada um”.

Pode ou não pode?

Pode, pode tudo o que você quiser, mesmo que fique cafona (o que supostamente não seria moda, mas a gente aceita também), porque a intenção é se expressar. Eu aprendi que pode comigo mesma, quando estava louca para comprar uma saia longa, mas diziam que eu ia ficar mais baixa, eu comprei na teimosia, e só então usei os artifícios da moda para aprender que se eu usasse tons monocromáticos com a tal saia, eu poderia alongar meu cumprimento, eu o fiz. E não, não fiquei do tamanho de uma modelo, como as revistas esperam, mas não quer dizer que o resultado tenha sido decepcionante e que eu deva continuar procurando como usar a tal saia ou simplesmente não usar mais. O tom monocromático me deixou no meu tamanho normal, nada de encurtar ou diminuir, nenhuma ilusão de ótica.

Eu digo que pode quando compro uma calça 36 por caber na minha cintura mas tenho que cortar e costurar as bainhas porque aparentemente só fabricam calças para quem é super alta e tem pernas longas.  Me sinto dizendo para a marca: pois é, não é só modelo que usa sua marca, querida.

Juliana de Faria deixa uma indicação de que não só pode, como deve! E que podemos falar sobre moda para TODAS principalmente usando mulheres reais. Ela indicou a ex-colunista da finada revista Gloss, Juliana Romano, que agora mantém seu próprio blog e não tá nem aí pras regras de moda, ela usa estampa meeeessmo!  

Já que está rolando um momento indicações aqui, eu tenho uma gringa para mostrar, é a linda da americana Tanesha Awasthi, que criou o blog Girl With Curves, para vestir tudo o que via nas passarelas, mesmo que as revistas insistissem em dizer que ela não podia. Eu sou magrela por natureza (sem exercício, nem dieta) mas adoro esse blog e adoro ver como Tanesha tranforma os looks da passarela para o seu dia a dia.

fonte: fashionatto
fonte: fashionatto
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2 comentários sobre “Como escrever sobre moda para TODAS?

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