Por um Dia das Crianças (e um futuro) igualitário

Uma vez declarei facilmente, como a decisão simples que é que, eu quando eu engravidar, não quero saber o sexo do bebê até seu nascimento. Hoje em dia com tanta tecnologia avançando para matar a curiosidade dos pais para enxergar o que têm entre as pernas dos filhos ainda na barriga, é até difícil, é capaz de durante a ultrassom, o médico deixar escapar uma olhadinha e eu acabar descobrindo o sexo do meu bebê. É capaz de alguém da família querer saber e não conseguir esconder de mim até o nascimento. Há possibilidades de eu não conquistar essa vontade, mas não há de desistir dela. Quando eu estiver grávida, não vou querer saber o sexo do meu filho até que ele nasça.

E aí a principal problemática surge, sempre tem alguém que fala: “Difícil vai ser comprar as coisas do bebê, né?”. Porque tão difícil? Bebê menino usa fraudas diferentes das que as bebês meninas usam? Bebê menino usa berço diferente de bebê menina? Algum deles não usa algo que o outro usa e vice-versa? Ah, claro, as cores!

Eis que meu plano de amar uma criança independente da imagem e da expectativa que os eu ou os outros ao meu redor vamos criar em torno dela não é tão infalível. Depois do nascimento vão vir aniversários, Dias das Crianças e os padrões vão voltar. Tenho pavor de imaginar minha futura filha ganhando um kit de cozinha completo, para aprender desde criança “onde fica o lugar da mulher em casa”. Ou ver meu filho sendo ensinado pelos tios que deve almejar o modelo original do carrão em miniatura que ganhou pra pegar todas na balada.

Criar crianças com a ideologia da igualdade de sexos é difícil com toda a influência que sofre ao redor dela. Saí para comprar um presente de Dia das Crianças para meu sobrinho e desisti diante das opções tão segmentadas nas lojas de brinquedo, alias, que segmento é aquele? Resolvi comprar um livro, diante de tantas opções de títulos infantis, perguntei a vendedora o que ela me indicaria para uma criança na faixa etária de quatro anos de idade. Mas só a definição do cérebro que a criança pode ter com a idade não foi suficiente e é claro que ela me perguntou: “Menino ou menina?”

Comprei o livro “de menino” pois explicar o quão aquela pergunta me irritava ia ser muito cansativo, admito, falhei. E quando cheguei em casa percebi a grandeza da minha falha quando cheguei e vi meu irmão presenteando o filho com mais um boneco do “The Avengers”. Lembrei o quão eu queria uns bonecos do Dragon Ball quando era criança e nunca ganhava, alguém deve ter indicado que seria melhor me dar uma Barbie na loja.

E porque o que eu ganhei na infância ou o que meu sobrinho ganha na dele importa? Porque muitas outras crianças estão ganhando a mesma coisa e induzidas também a mesma coisa. Porque é daí, da brincadeira, que crescem meninos mimados que não tirem a toalha da cama pois acreditam que essa é a tarefa de sua mãe, que brincou de casinha quando era pequena, porque ela é mulher. Dessas brincadeiras vai ser o babaca que grita no trânsito que mulher é um perigo dirigindo. É da brincadeira, e dos brinquedos sexistas que existe a desigualdade nas empresas e é, arrisco até dizer um dos motivos que justificam que as mulheres ganham menos que os homens.

Não é fácil com essa indústria atual, se até a Lego, uma empresa que fabricava brinquedos que deixavam as crianças usarem a imaginação para criarem o que quisessem sem distinções de cor e sexo, se bandeou para os caminhos do sexismo, este é mais um exemplo de que realmente não é fácil ser uma minoria num mundo que pensa igual. Mas não é impossível, basta não ter medo de discutir como eu tive na livraria, basta explicar para os principais recebedores de informação, as crianças.

Você não precisa debater filosóficamente com a criança o porque ela pode brincar com o que quiser, para a menina o porque os brinquedos femininos impõem que ela seja dona de casa e para o menino que os brincados masculinos impõem que ele seja um super-herói protetor da irmãzinha indefesa. Se explicar que eles não precisam escolher nada por causa do que dizem por aí, se tivermos coragem de deixá-los pedirem o que quiserem, quando crescerem, vão entender o porque. As vezes nem precisam crescer tanto para entender, né?

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