Amélia ouviu: Pure Heroine, de Lorde

Se compararmos as cantoras pop dos anos 90 e início dos anos 2000 com as de hoje, vamos encontrar o mesmo tipo de música, por isso acredito que posso dizer que este disco é um pop diferente.

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Mais melódico, mais poético e com uns elementos interessantes em algumas músicas, pois as tornam dançantes e lembram até um ritmo de rap, mas, outra vez, não aquele rap das outras cantoras pop, que têm participações masculinas nas músicas, as rimas são feitas por ela mesma. Sem  contar as letras diferentes, que falam descaradamente sobre fama, dinheiro e relacionamento. 

É isso, um disco pop diferente, melódico, poético, um pouco dançante e com influências de músicas gangster. Pois é, parece, mas não é de nenhum álbum da Lana Del Rey que estou falando. Me refiro a nova queridinha pop do momento, a neozelandesa Lorde e seu álbum de estúdio Pure Heroine. 

Primeiro álbum lançado pela jovem Ella Yelich-O'Connor que assina como Lorde
Primeiro álbum lançado pela jovem Ella Yelich-O’Connor que assina como Lorde

A comparação com Lana Del Rey e outra cantoras como Florence Welch, Sky Ferreira e Marina (and The Diamonds) é inevitável, mas Lorde tem características só dela, que faz questão de levar as músicas. Como o fato de não fazer questão de emplacar um refrão grudento na cabeça (apesar de que o refrão da faixa 3, Royals grude um pouco), e a maturidade que mostra em suas letras adicionando ironia e sarcasmo na hora de falar de fama e riqueza, a faz criar músicas críticas ao universo pop, dentro do universo pop.  E toda essa atitude com apenas 16 aninhos de idade! 

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Sua voz é suficientemente potente quanto a das outras cantoras citadas, mas é uma massagem aos nossos ouvidos que estão acostumados com agudos e auto-tunes que compõem músicas das cantoras mais moderninhas, Lorde sabe e mostra que sabe o que está fazendo em seu disco. 

Polêmicas: 

A maturidade de Lorde surpreende ainda quando a moça da entrevistas. Feminista, ela critica músicas e artistas que, segundo ela, não dão bom exemplos as garotas que as escutam.

Sobre as comparações com Lana Del Rey: 

 

“Eu acho que muitas mulheres nesta indústria talvez não estejam mostrando isso da maneira correta para as garotas. Eu já li entrevistas em que certas grandes estrelas femininas falam: ‘Eu não sou uma feminista.’. Eu penso, ‘Não é disso que se trata.’ Ela é ótima, mas eu escutei aquele álbum da Lana Del Rey e o tempo todo eu estava pensando que aquilo não era uma coisa saudável que as garotas mais jovens deviam escutar, você sabe: ‘Eu não sou nada sem você.’ Esse tipo de pensamento desesperado não é uma coisa saudável para jovens garotas, nem mesmo crianças, estarem escutando.” 

Sobre Selena Gomez, que fazia cover de Royals em seus shows: 

“Eu amo música pop, mas eu sou feminista e acho que o tema da música dela é ‘quando você estiver pronto, venha e pegue’ (trecho da canção). Eu estou cansada de ver as mulheres sendo retratadas desse jeito”.

Já falamos aqui sobre a preocupação com as letras de Lana Del Rey, além de suas mudanças física para alcançar o sucesso. Apesar de ser sincera e não tentar esconder suas fraquezas, podem sim dar mal exemplo, como outras cantoras acabam fazendo. Eu sou fã declara de Lana Del Rey por causa de sua qualidade musical e por me identificar com alguns trechos de suas letras, claro, isso faz parte, mas tenho maturidade para sabe diferenciar o que acredito ser errado ou não em suas letras, e o que Lorde, como porta-voz das adolescentes de hoje em dia, observa é que meninas mais jovens podem ser facilmente influenciadas, o que é preocupante.

Lorde também ganha pontos ao aparecer sempre linda e bem arrumada, mas sem precisar seguir nenhum padrão de beleza. Assume seus cabelos cacheados (aparentemente crespos em algumas fotos) e usa pouquíssima maquiagem. 

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A única coisa me incomoda em Lorde é o peso de suas críticas, que não se limitam somente as letras das tais cantoras, mas também a suas personalidades. Há uma diferença entre criticar e preocupar-se com a influência de músicas para meninas e criticar diretamente quem as faz, sendo elas mulheres. Sabemos que no feminismo não podemos culpar a mulher pelo seu próprio machismo e fraqueza, e Lorde se diz feminista, certo? 

Sobre Lana Del Rey: 

Eu nunca acredito em nada do que ela fala, mas ao mesmo tempo, eu acredito que existe uma compositora de verdade lá, e acho que ela poderia fazer algo realmente legal se parar um pouco e olhar para si mesma. Tudo é sobre um cara… Isso deveria ficar no passado – estamos em 2013. 

Musicalmente Lorde já está mais do que aprovada e adicionada a minha playlist, a menininha é brilhante e vai longe, e as polêmicas? Podemos ultrapassar né? Estou deixando aqui as três músicas que mais gostei do álbum. 

1 – Royals 

2 – Buzzcut Season

3 – A World Alone 

Leia também: Descontruíndo Lana Del Rey 

 

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2 comentários sobre “Amélia ouviu: Pure Heroine, de Lorde

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