Por que o feminismo precisa da Beyonce?

Para responder o questionamento feito no título, eu poderia usar uma simples resposta: Porque o feminismo precisa de todas as mulheres, de tudo o que elas podem e da maneira que podem dar pela causa e todas com o mesmo grau de importância. Por isso nunca descarto uma mulher que cresceu desacreditando na necessidade do feminismo e depois mudou de opinião, e até mesmo o homem machista que se arrependeu de seus julgamentos e atitudes. O feminismo é isso mesmo, é transformação, é mudar o pensamento antigo das pessoas em prol de um mundo igualitário.

Não que Beyoncé nunca tenha sido feminista e se tornou agora. Ou, segundo muitas críticas, ela não é feminista o suficiente, então quer dizer que agora há uma medição de sua capacidade feminista? O nome de sua turnê e a forma com que se veste e mostra sua sexualidade não deveriam ser um problema, e feministas deveriam saber disso.

Não só não é um problema, como é também muito válido, ver uma mulher bem sucedida conquistar tudo em sua carreira longe da sombra do marido, e melhor ainda, conseguindo distinguir sua carreira da dele independente de parcerias que façam na música. Beyoncé é um nome, Jay-z é outro. Ver que ela emprega muito mais mulheres no meio musical do que qualquer outro artista e que todo o seu discurso sobre sexualidade é para as mulheres, para que saibamos que nós a possuímos sim e não é pecado. Então, o que exatamente Beyoncé faz que não é feminista?

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Será que tomar o nome do marido na certidão de casamento anula todos esses fatores já citados? Feminismo não é sobre escolha? Achei que eu podia escolher ou não ter o nome do meu marido, assim como Beyoncé escolheu que sim. Ou será que o que anula o feminismo nela é ter encontrado a felicidade no casamento e na maternidade? Mais uma vez, achei que feminismo fosse a liberdade, a escolha de ter isso ou não na minha vida. Se me casar não me fará feliz porque eu faria isso? Mas se faz Beyoncé feliz, quem somos nós para julgar? Estamos aqui para julgar?

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A resposta da Queen B:

Não bastasse toda essa carreira e todo o “Who run the world? Girls!” gritado com vontade nos shows, Beyoncé, como se precisasse nos provar algo, lança um CD totalmente inesperado, da noite para o dia, literalmente.

Na madrugada do dia 13, Beyoncé publicou um vídeo na sua conta do Instagram onde anunciou não só 14 músicas novas, como 17 vídeos fresquinhos. Dois deles (pelo menos os que eu achei, se tiver mais me avisem), gravados no Brasil, na sua passagem pelo Rock in Rio desse ano. Nenhuma música vazou, nenhuma foto de uma suposta gravação de clipe. Tudo impecável e novo para os fãs.

E não foi só o lançamento que foi brilhante. As letras do disco que leva seu nome, são todas dignas de uma feminista orgulhosa, que quer defender a causa até o fim e influenciar seus fãs a refletir sobre. Como eu disse no início do texto, cada mulher é necessária a causa da forma que lhe cabe ajudar e todas têm o mesmo grau de importância. Esta é a forma que Beyoncé encontra de ajudar o feminismo.

Principalmente pois dessa forma, ela ainda consegue quebrar todos os estereótipos de que há algo negativo nas idelogias do feminismo, todas as ideias pré formadas e que tanto nos esforçamos em mostrar que é o contrário. E tudo sem hipocrisia.

Há quem ache que existe (infelizmente), mas não existe hipocrisia em uma mulher linda e saudável mostrar o quão sofremos para alcançar essa tal perfeição que a mídia nos vende, mas não existe, como ela faz em Pretty Hurts, nos dizendo que nem ela, nem você têm a obrigação de ser perfeita, e que essa tentativa machuca. E desculpem, mas não há hipocrisia em ver uma mulher que já conhece os desafios do casamento e defende sua felicidade nele dizer que ninguém precisa disso para ser bem sucedida na vida, como disse em Flawless. Faixa esta que merece seus méritos.

Em Flawless, Beyoncé trás a antes lançada como Bow Down remixada com uma participação especial: Ela adiciona as falas da autora do livro “Americanah”, Chimamanda Ngozi Adichie, em seu belo discurso “We Should All Be Feminists”. As falas de uma completam as da outra e olha… me emocionou.

Beyoncé não só é feminista como se importa com as mulheres que ouvem sua música. O casamento de sua música com o discurso de Chimamanda é a prova disso. E quando decidimos que a vida particular de uma mulher são da nossa conta a ponto de formamos uma opinião sobre sua personalidade e censurar suas escolhas, não estamos sendo feministas.

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