Amélia assistiu (e assume): The Carrie Diaries

Sim! Eu assisti The Carrie Diaries assim como eu assisti Sex and the City, e adorei!

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Para quem não sabe, The Carrie Diaries conta a história da jornalista e escritora Carrie Bradshaw, personagem da famosa série da HBO, Sex and the City, aos 17 anos, antes de se tornar a Carrie Bradshaw. A série baseada no livro de mesmo nome, conta com o mesmo método da série de Carrie e suas amigas versão adulta (a narração de Carrie em seu diário), a história de como ela chega a Manhattan, começa no jornalismo e na moda, e o mais interessante, como era sua vida em Connecticut.

O melhor dos dois mundos:

Há uma eterna discordância se havia ou não feminismo em Sex and the City, e é claro que a série não se encaixava no Teste de Bechdel, – que eu não só compreendo a necessidade como apoio e tenho usado para testar praticamente tudo que eu assisto ultimamente –  mas isso não quer dizer que feministas não possam assistir algo que não passe e não possam usar temas abordados como tópicos de discussão.

Ok, os tópicos discutidos em sua maioria, não eram exatamente o sexo ou a cidade em particular, como sugere o título, mas sim, homens, o sexo com os homens e estar com os homens. Toda essa atenção as vezes entediava um pouco, e eu ficava muito mais interessada na carreira das protagonistas, ou somente na vida da independente e livre Samantha Jones.

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Mas muitas vezes a série tratava simplesmente da sexualidade da mulher e a gente nem percebia. Eu pelo menos, não esqueço da história do Rabbit Vibrator em particular.

É mesmo muito triste ver como a maioria das mídias direciona a mulher a somente pensar no homem – mesmo que em Sex and the City, haja tanto questionamento sobre estar ou não, casar ou não, ter filhos ou não com o homem – mas isso não significa que não possamos ou não queiramos ver algo que trate disso. Mesmo que o ideal seria uma série a cada dez com outros temas mais interessantes, no fim das contas, Sex and the City acaba sendo sobre –  quem diria? – as escolhas da mulher.

The Carrie Diaries me encantou pois, acredite ou não, explora todos os assuntos que você esperava em Sex and the City, só que com uma linguagem adolescente e um clima anos 80 incrível (o que são aquelas roupas e trilha sonora?). O amor de Carrie pela cidade, e todo o desenvolvimento desse “relacionamento”, as descobertas de uma menina de uma cidade pequena em um lugar populoso e cheio de mistérios. Também suas descobertas em relação a carreira e ao futuro, e como escalou de estagiária até a famosa colunista que se tornaria. Seu valor pelas amizades e o encanto por descobrir novas pessoas. E claro, como lida com os amores, se na série da Carrie adulta havia altos e baixos, imagine então com uma Carrie virgem e cheia de descobertas.

THE CARRIE DIARIES

Não que a Carrie de 17 anos seja diferente da Carrie original, ao contrário. AnnaSophia Robb interpreta a mesma Carrie apaixonada por moda e até sua narrativa são parecidas com a da personagem original, a jovem atriz com certeza fez uma pesquisa bem aprofundada da Carrie vivida por Sarah Jessica Parker antes de encarar um personagem tão icônico, e está certíssima. No roteiro até algumas tiradas clássicas de Bradshaw são incluídas, como seu amor por martini, sua habilidade de desmaiar nos braços do homem que ama, o jeito com que escreve de frente para a janela e outros detalhes.

E se for pra continuar com comparações, a série ficou ainda mais legal depois que Samantha Jones entrou em cena (aparentemente a cada temporada, uma amiga do quarteto entrará). Se AnnaSophia já caprichava com sua nova Carrie, Lindsey Gort encarnou Samantha. Além de parecerem fisicamente, Gort consegue replicar todos os trejeitos, da personagem original vivida por Kim Cattrall.

Aparentemente, The Carrie Diaries está sendo até um pouco mais fiel e aberta a histórias diferentes do que o desejo por homem, e tenta justificar o porque, na idade adulta, Carrie Bradshaw, Samantha Jones, Charlotte York e Miranda Hobbes com suas carreiras consolidadas, tinham apenas esta preocupação. (Claro que isto não é justificativa. Este último parágrafo foi uma crítica completamente imparcial com o fato de eu gostar ou não da série.)

city1Na segunda temporada, o assunto virgindade deixa de ser um tabú, e coisas mais sérias começam a ser discutidas dentro e fora da trama.

The Carrie Diaries:

Este trecho vai conter muitos spoilers!!!

Na primeira temporada a questão do senso comum em uma cidade pequena já começa a aparecer como problema, Carrie começa tendo que lidar não só com o problema de ter perdido a mãe, como também com o fato de que todos estariam falando disso e apontando dedos sobre seu estado emocional. Depois como a irmã mais nova lida com o fato de passar a ser criada somente pelo pai, o que ainda parecia ser um grande tabú, e que Tom Bradshaw tenta superar, tanto da parte da cidade, quanto de seus próprios preconceitos.

Todo o julgamento ainda continua quando Sebastian Kydd chega na cidade depois de ser expulso da última escola que estudou por ter se envolvido com uma professora. O bad boy, julgado e mal olhado por todos os adultos da cidade, que não querem influenciar mal seus filhos. E ainda há toda a relutância de Walt em assumir que é gay até para si mesmo e a reação absurda de Mags.

Sempre achei que Maggie era o maior símbolo da ignorância da cidade, pois ela praticava e sentia de volta toda agressividade e julgamento. A reação homofóbica e agressiva (ok, agora usei pleonasmo) a descoberta da homossexualidade do namorado e a forma com que se deixa influência pela baixa expectativa de sua família para seu futuro não são culpa da personagem, mas sim da atmosfera machista a qual é criada. No episódio em que descobre que está grávida (eu disse que teria spoilers!), Maggie diz a Sebastian que para ela o destino de um homem é tornar-se policial e o da mulher, mãe.

Depois que descobre a gravidez, teme em contar aos pais e recebe uma resposta ignorante e machista do homem que mentiu a ela. Maggie é só mais uma menina enganada, imatura e inconsequente talvez, mas influenciada principalmente.

Até a atriz que interpreta Maggie se pronunciou sobre as reações ao destino de Maggie na série.

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O roteiro da série tenta fortemente mostrar sua posição diante das discussões expostas, desde a forma com a homossexualidade de Walt é aceita aos poucos por ele mesmo e o quão parece absurdo ele ter de agir diferente para agradar as pessoas, por exemplo. E na situação de Maggie não é diferente. Desde o envolvimento com Sebastian, há o ponto de vista da traída Carrie, o de Maggie e o dele. O próprio personagem é posto a assumir a culpa, Sebastian sempre repete que perdeu Carrie por causa do beijo com Maggie, mas ainda assim, é somente ela quem sofre os apontamentos, e claro que não seria diferente com relação a sua gravidez.

Para uma série que fala a meninas adolescentes sobre assuntos tão pouco discutidos em suas próprias casas, The Carrie Diaries tem tido uma postura positiva. Não é por falta de tentativas de mostrar o lado da mulher julgada, do pai inexperiente e do fato de que não deveria ser e muitos outros detalhes.

Se as séries são feministas ou não, particularmente acredito que esta discussão sempre irá existir. Há motivos para acreditar que sim e que não, como eu já disse. Mas estou fazendo minha parte usando os plots das séries para questionar a mim mesma e a reação do público. Te convido a usarmos esses questionamentos para discussões saudáveis, que tal?

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