Feminista demais

Um dos meus principais argumentos de defesa da existência do machismo e necessidade do feminismo em nossa sociedade é o “medidor de comportamento” que as pessoas utilizam, sobretudo (é claro) com as mulheres.

Como em outros quesitos na sua vida, as mulheres também passam por uma avaliação rigorosa de comportamento, aparência e escolhas quando aderem ao feminismo. Aparentemente, fica feio ser “feminista demais”.

O que ouvimos é que, ninguém quer tirar das mulheres a sua voz e espaço para lutar por seus direitos, menos ainda, priva-las disso, mas sem exageros, né? De preferência, devemos falar de militância somente nos nossos grupos, jamais sair as ruas em protesto, e menos ainda, privar os homens do seu direito de nascença de nos avaliar e falar suas bobagens machistas.

Se possível, deixar um homem falar sobre o assunto sempre, pois as mulheres se exaltam, reclamam, são loucas. Acabam ficando “feministas demais”. E claro, eles sempre têm uma opinião melhor para dar sobre qualquer questão.

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As vezes nos vemos discutindo entre si, feministas julgando umas as outras, mas dessa vez sobre ser “feminista de menos”. Esquecemos que nossos espaços são de acolhimento e principalmente de crescimento e aprendizado, e ao invés de abraçar e ensinar, julgamos.

Em alguns casos os extremos realmente atrapalham, mas o fato de existirem mulheres que levam a luta ao extremo (diante dos olhos machistas que julgam seu comportamento) só pode significar que ainda precisamos ser ouvidas.

Experimenta ouvir uma mulher, buscar grupos de militância feminina e ouvir. Ouvir mesmo, deixar os teus julgamentos de lado, pra você ver como não temos razão em sermos “demais”.

A maior prova de que precisamos do feminismo, é este tipo de julgamento comportamental e existêncial. A mulher pode ser gostosa, mas não gostosa demais. Deve ser independente, mas não independente demais. Pode ganhar bem, mas não ganhar a mais. Ser feminista, mas não feminista demais, dessas que falam, que lutam? Não, imagina!

Isso porque as mulheres “demais” assustam os homens, e ameaçam o seu posto alfa na sociedade. Repare que todos os “demais” que não podemos ser, é porque os os homens já os são, ou podem ser se quiserem!

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Se ser feminista demais é ser justa e buscar derrubar essa desigualdade para poder ser o que quiser, então eu sou feminista demais.

Ainda sobre o assunto, indico: “Não me diga como ser feminista”

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