Você consegue imaginar o Teste de Bechdel ao contrário?

Sem antes ler ao menos uma crítica, nem mesmo uma sinopse, somente com a curiosidade de ouvir as pessoas falando por alto, no fim de semana, no auge da minha procrastinação, eu apertei o play no título Orphan Black no Netflix. Resultado, eu viciei nas personagens incríveis vividas pela igualmente incrível Tatiana Maslany, e terminei a primeira temporada em dois dias.

O roteiro é sobre a descoberta de Sarah Manning de que é resultado (ou vítima) de experiências científicas ilegais, que geraram diversas outras como ela – clones – enquanto ela tenta reconstruir sua vida e recuperar sua filha Kira.

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Como sempre acontece quando fico obcecada por uma história, fui procurar sobre ela. Roteiristas, criadores, atores ou mesmo pontos de vistas diferentes, para pensar sobre algo que eu não notei assistindo sozinha. E foi aí que esbarrei nesse texto que me abriu os olhos para um detalhe:

Como eu tinha notado, Orphan Black se trata de uma ficção científica feminista, que passa no Teste de Bechdel, e ainda, com um leve toque de misandria, reprovaria se existisse a versão inversa dele.

Aprovação no teste:

O Teste de Bechdel foi criado pela (recém premiada) cartunista Alison Bechdel, para medir a participação da mulher nas produções da cultura pop. Inicialmente usado em quadrinhos, logo descobriu-se que era fácil adaptar as perguntas também para livros, filmes e séries. As questões são:

  • Há mais de duas mulheres na trama, COM NOME?
  • Elas conversam uma com a outra?
  • Elas tratam de qualquer assunto menos um homem?

Parece simples, mas ao aplicar o teste em diversas séries é difícil encontrar uma que atenda a todas as respostas. A mais recente referência de aprovação no Teste (a qual também sou fã) é Orange is The New Black. Respondendo a estas perguntas segundo a série Orphan Black, se consegue respostas positivas ao extremo.

Não só há mais de duas mulheres na trama e com nome, como todas são personagens muito bem desenvolvidas com perfis, histórias e conflitos diferentes que guiam toda a trama de forma individual, mesmo que a personagem central seja Sarah. E não são só as Clones que dominam as tramas. Os personagens masculinos são de fato, poucos.

Elas não só conversam entre si, como quase nunca o assunto é um homem, na maioria dos diálogos, o assunto é uma mulher. O conflito de personalidade entre elas, apesar de toda a questão científica e genética, desenvolve relações interessantes.

É incrível ver o apoio que as Clones têm uma a outra, sempre se ajudando, seja por questões de sobrevivência pessoal ou da parceira.

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Tatiana não somente se veste como Sarah, Beth, Helena, Rachel, Cosima, Alison, Katja e muitas outras que creio que vão aparecer ao longo da trama, ela incorpora diferentes personalidades, comportamentos, sotaques, reações e expressões tão bem, que mesmo sem a caracterização de cada uma, somente com sua atuação, é possível distinguir qual clone ela está performando. Muitas vezes eu até esqueço de que é a mesma atriz que faz todas essas personagens.

Sarah é um punk crimonosa buscando pela confiança da filha e se estabelecer na vida, Beth é uma policial responsável e atleta, Helena uma fanática religiosa criada na igreja, Cosima uma universitária que estuda para ser cientista, Alison uma mãe de família com todos os conflitos e cobranças pessoais que elas podem ter e uma bela atiradora… Fora outras personalidades. A série tem todo o tipo de representatividade feminina, (apesar de que eu senti falta de atrizes negras), passando longe de se limitar a somente um tipo estereotipado de mulher.

Teste ao contrário:

Se houvesse um Teste de Bechdel ao contrário (sabemos que não há menor necessidade disso, mas só imagina) Orphan Black, com uma pitada genial de misandria, reprovaria o teste.

Acredito que os personagens masculinos que foram melhor desenvolvidos são Felix Dawkins, irmão adotivo, sarcástico de Sarah, e Paul Dierden, monitor de Beth Childs e posteriormente amante e cúmplice de Sarah. Ambos tem uma história mais ou menos contada e maior participação na trama.

Os outros homens em Orphan Black são normalmente vilões ou bem secundários. E é um desafio encontrar uma conversa entre eles cujo assunto não seja uma mulher.

Resumindo em uma frase: Orphan Black é a série feminista que você precisa assistir.

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