Anitta, Pitty e todas nós

Se tem uma coisa que a mídia gosta de abusar, é da rivalidade feminina. Mais ainda quando se trata do mundo da música.

Já reparou que toda cantora tem que ter sua rival ou ser comparada (ou dita como imitadora) de outra? Se (eu disse ‘se’) essa rivalidade é de fato abraçada e levada a sério por estas artistas, ou qualquer outra mulher, como culpa-las quando estão inseridas numa sociedade em que a rivalidade feminina é tão comum e somos criadas para ficarmos de olho na “concorrência”?

A mídia constrói esse conceito, que é aceito pela sociedade, e finalmente chega a afetar você e aquela sua coleguinha de trabalho, sua vizinha e outras mulheres a sua volta. E isso é um dos fatores que nos enfraquece diante dessa sociedade opressora, e dificulta o combate ao machismo.

sororidade

Sim, essa visão de rivalidade feminina é bem machista. E é tão implantada culturalmente que, nessa semana, uma nova dupla de rivais surgiu.

Notícias em portais sobre famosos apontavam que, durante a gravação do programa Altar Horas, o “clima de rivalidade teria esquentado” entre as cantoras Anitta e Pitty (que já defendeu a primeira numa outra ocasião), que debateram sobre feminilidade e liberdade sexual da mulher.

Até as fotos das duas moças escolhidas para ilustrar a matéria foram bem selecionadas para formar o tal “clima” que a mídia acredita que existiu, pelas caras e posturas de cada uma delas.

Está longe da minha forma de pensar concordar com o que a Anitta disse, e pelo jeito para a Pitty também, mas isso acontece. O que acontece também, é a troca de informação e pontos de vistas entre pessoas, como aparentemente aconteceu na gravação do programa.

Em grupos feministas, falamos sobre a necessidade de inserir mais a Anitta (que se considera feminista) nos debates e discussões para que ela possa entender as pautas do movimento o qual apóia – tudo isso com respeito e solidariedade. Pitty convidou Anitta também e esse foi o tapa na cara que a mídia precisava:

sororidade

As mulheres podem e devem disputar entre si. Mas porque não por uma vaga na faculdade, por uma posição legal no emprego ou mesmo pelo título de quem rebola mais no baile funk? Mas porque não uma disputa saudável e sem julgamentos?

Ou achamos que a rivalidade é a mesma quando disputamos contra os homens? Além desse exemplo tratar-se de uma disputa desigual na maioria das vezes, muitas mulheres só começam a brigar e disputar simplesmente por serem mulheres, por acreditarem que é isso que fazemos entre si.

No primeiro tweet da Pitty sobre assunto, fica claro como é natural que a mídia e as pessoas acreditem que haja rivalidade, como se espera que isso aconteça.

Nesse caso se deve pontuar: querida mídia do Brasil. Mulheres discutem. Nós debatemos, conversamos, discordamos. Assim como os homens fazem. Assim como pessoas civilizadas deveriam fazer. O que aconteceu entre Pitty e Anitta não passa de um episódio de discordância que (LIDEM COM ISSO!) acabou unindo ainda mais as duas. No feminismo chamamos isso de sororidade.

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