A patrulha da gordurinha

Essa semana a internet se revoltou por conta de (mais) uma patrulha do portal R7 sobre os corpos das mulheres. Segundo a publicação, ao tirar a roupa na praia foi constatado que a jornalista Fernanda Gentil não atende as expectativas criadas – obviamente não por ela – pelos espectadores que a conheceram na TV durante a cobertura da Copa do Mundo (que ela fez perfeitamente, diga-se de passagem), por ter “muitas curvas, algumas gordurinhas e até celulites”.

Ninguém gostou da publicação de mal gosto, e nem precisa repetir exatamente o que continha nela. Depois das críticas e de descobrir que a apresentadora está grávida de dois meses, o site deletou o chorume.

Como se só a gravidez fosse uma justificativa para deletar aquilo. Como se qualquer coisa justificasse a encheção de saco sobre o corpo feminino. Sabemos que não, mas o R7 não sabe. A internet não sabe.

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A publicação sobre o corpo de Fernanda é um tipo de patrulha que acontece todos os dias. Todos os dias vemos postagens com análises sobre o corpo feminino com base em como ele deveria parecer para uma sociedade exigente e completamente adepta dos padrões de beleza. Por conta disso, as pessoas correm atrás de uma possível criminosa, a tal “gordurinha”.

Alguém um dia determinou que ter gorduras no corpo feminino não é bonito, e desde então começou a cassação a esta (supostamente) terrível vilã.

Ela pode vir em diferentes disfarces: Tem a gordurinha localizada, a gordurinha da idade, a gordurinha pós fim de semana. Tem também a gordurinha o gerúndio, quando uma mulher está “queimando” enquanto pratica alguma atividade física. E a representação mais conhecida é a tal “gordurinha indesejada”.

As pessoas já estão acostumadas a procurar a tal gordurinha proibida. Quando batem os olhos no corpo de uma mulher, principalmente na praia, nesse verão, ninguém está isenta da inspeção. Então, você que (assim como eu) adora a Fernanda Gentil e a defendeu da injustiça, provavelmente condena muitas outras avaliadas nesses portais que acabam alimentando um hobbie diário do brasileiro: a fiscalização da gordura alheia.

O que ninguém pergunta é como aquela mulher lida com a tal gordurinha. Ela provavelmente não deve gostar, a final, todo mundo diz pra ela que não é legal. Mas já pararam pra pensar que a tal gordurinha indesejada pode ser, na verdade, desejada? E se a mulher gosta do corpo dela daquele jeitinho?

E se ela for só um gordurinha, dessas que existem no corpo de uma mulher comum como no de muitas outras? Que não prejudica a saúde dela e menos ainda a vida de ninguém?

Eu sei que é difícil aceitar, tendo anos de fiscalização nesse possível mal que assombra as mulheres. Mas pode relaxar e deixar que da sua gordurinha cada uma pode cuidar disso particularmente, até nomear como ela preferir, queimar se achar que precisa ou simplesmente fingir que ela nem existe e conviver com ela.

Claro que quanto menos “notícias” do tipo nos supostos “portais”, melhor. Mas falta o boicote na audiência desse tipo de conteúdo, certo?

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